- (24) 9 8827-3579
- comercial@tokenengenharia.com.br
- Seg - Sex: 8:00 - 18:00
Segurança elétrica · Aterramento
Tensão de passo e tensão de toque: o que são, como calcular e como se proteger
O guia da Token Engenharia sobre as tensões que aparecem no solo durante uma falta à terra: o que é tensão de passo e o que é tensão de toque, a diferença entre elas, como são calculadas e as medidas de proteção que reduzem o risco em subestações e instalações elétricas.
Origem: falta à terraFórmula e cálculoMalha e medidas de proteção

Resposta rápida
A tensão de passo é a diferença de potencial entre os dois pés de uma pessoa (cerca de 1 m) sobre o solo perto de uma falta à terra; a tensão de toque é a diferença entre a mão que toca uma estrutura aterrada e os pés. Ambas nascem do gradiente de potencial que a corrente de falta cria no solo e podem ser letais. O cálculo compara a tensão real da malha de aterramento com a tensão admissível que o corpo suporta — e a proteção (malha bem dimensionada, camada de brita, equipotencialização) mantém a real abaixo do limite.
O que é tensão de passo?
A tensão de passo é a diferença de potencial que aparece entre os dois pés de uma pessoa — separados por cerca de um passo, aproximadamente 1 metro — quando ela está sobre o solo perto de uma falta à terra. É um risco típico de subestações, torres e linhas de transmissão.
Quando ocorre uma falta à terra (um condutor toca o solo ou um equipamento aterrado), uma corrente flui pela terra. Como o solo tem resistividade — que varia com o tipo de solo e a umidade —, essa corrente provoca uma queda de tensão ao longo do solo. Forma-se um gradiente de potencial: dois pontos no chão, mesmo a pouca distância, podem estar em tensões bem diferentes.
Se um pé está num ponto e o outro a um metro de distância, a diferença de tensão entre eles pode ser suficiente para fazer uma corrente perigosa circular pelo corpo, de um pé ao outro. Por isso, ao caminhar perto de uma falta, recomenda-se manter os pés juntos e dar passos muito curtos — ou, no limite, saltar com os dois pés juntos — para não “abrir” uma diferença de potencial entre eles.
Tensão de passo
A diferença entre os pés no solo
Sobre o solo perto da falta, cada pé fica em um ponto do gradiente de potencial. A tensão de passo é essa diferença — e é maior quanto mais íngreme for a queda de tensão no solo.
O que é tensão de toque?
A tensão de toque é um conceito irmão da tensão de passo, mas se refere à diferença de potencial a que uma pessoa fica exposta quando toca um objeto aterrado durante uma falta à terra — uma estrutura de subestação, um poste, uma cerca metálica — enquanto os pés estão no solo.
Durante a falta, a estrutura aterrada assume um potencial (a chamada elevação de potencial de terra) e o solo sob os pés está em outro. A mão em contato com a estrutura e os pés no chão ficam em potenciais diferentes: essa diferença, aplicada ao corpo da mão até os pés, é a tensão de toque. Ela é particularmente perigosa porque o caminho da corrente passa pela região do tórax e do coração.
Tensão de toque
A diferença entre a mão e os pés
Ao tocar uma estrutura aterrada durante a falta, a mão fica no potencial da estrutura e os pés no potencial do solo. A tensão de toque é essa diferença, aplicada da mão aos pés.
Qual a diferença entre tensão de passo e tensão de toque?
As duas vêm do mesmo fenômeno — o gradiente de potencial que a corrente de falta cria no solo —, mas se distinguem pelo caminho da corrente pelo corpo:
- Tensão de passo: diferença de potencial entre os dois pés (pé a pé, ~1 m). A corrente entra por um pé e sai pelo outro.
- Tensão de toque: diferença de potencial entre a mão (num objeto aterrado) e os pés (no solo). A corrente entra pela mão e sai pelos pés, atravessando o tronco.
Na prática, a de toque costuma ser a mais crítica para a vida, porque o percurso da corrente inclui o coração. Ambas, porém, são avaliadas juntas no projeto do aterramento — a norma trata das duas.
Passo × toque
O mesmo gradiente, dois caminhos pelo corpo
A tensão de passo mede a diferença entre os pés; a de toque, entre a mão em uma estrutura aterrada e os pés. É a mesma física de fundo, com percursos diferentes da corrente.
De onde vem o perigo
O funil de potencial em torno da falta
A corrente de falta escoa pelo solo e o potencial na superfície cai com a distância, formando um funil mais íngreme perto do ponto de falta. É a inclinação desse funil que gera as tensões de passo e de toque.
O que causa a tensão de passo e a tensão de toque?
A origem é sempre uma falta à terra: um condutor energizado entra em contato com o solo ou com uma parte aterrada do sistema, e a corrente passa a escoar pela terra. As situações mais comuns são:
- Descarga atmosférica: um raio no solo injeta uma corrente enorme que se dispersa pela terra, gerando tensões de passo elevadas ao redor do ponto de impacto.
- Equipamento com defeito: transformadores, chaves ou isoladores danificados podem levar a corrente à terra por caminhos não previstos.
- Rompimento de linha: um cabo de transmissão ou distribuição que cai e toca o solo cria uma falta à terra e um gradiente perigoso na vizinhança.
- Curto-circuito para a terra: em linhas aéreas ou cabos subterrâneos, quando um condutor toca diretamente o solo ou um elemento aterrado.
- Aterramento deficiente: estruturas mal aterradas (um poste, uma torre) têm mais chance de desenvolver potenciais perigosos na superfície durante a falta.
Quais são os perigos da tensão de passo e de toque?
As duas representam risco sério à vida de pessoas e animais nas proximidades de uma falta. Os principais efeitos da passagem de corrente pelo corpo são:
- Fibrilação e parada cardíaca: a corrente pode desorganizar o ritmo do coração — é o risco mais grave, e o motivo de a tensão de toque ser tão crítica.
- Eletrocussão e queimaduras: nos pontos de entrada e saída da corrente (pés, mãos), inclusive queimaduras internas.
- Contração muscular e quedas: o espasmo pode derrubar a pessoa e ampliar o contato com o solo, agravando o acidente.
- Animais: animais de passo largo, como cavalos e o gado, são especialmente vulneráveis à tensão de passo, pela distância maior entre as patas.
- Risco ao socorrista: quem tenta ajudar sem conhecer o perigo pode se tornar a próxima vítima.
A gravidade depende da intensidade da corrente e do tempo de exposição — e é justamente por isso que o projeto de aterramento e a atuação rápida das proteções são decisivos.
Como se calcula a tensão de passo e de toque?
O ponto de partida é entender por que existe o gradiente. Perto de um eletrodo concentrado, o potencial na superfície do solo, a uma distância r do ponto de injeção, pode ser aproximado por:
V(r) ≈ ρ · I / (2π · r)
em que ρ é a resistividade do solo (Ω·m), I é a corrente de falta que escoa para a terra (A) e r é a distância ao ponto de falta (m). Repare que o potencial cai com 1/r: por isso o gradiente é mais íngreme junto da falta.
Exemplo ilustrativo (idealização de eletrodo pontual): com ρ = 100 Ω·m e I = 1000 A, a elevação de potencial a 1 m da falta seria V ≈ 100 × 1000 / (2π × 1) ≈ 15,9 kV. Esse número é o potencial no ponto, não a tensão de passo em si: a tensão de passo é a diferença entre dois pontos (V(r) − V(r+1 m)) e a de toque, a diferença entre a estrutura e os pés. Ainda assim, mostra por que, perto da falta, sobram volts mais do que suficientes para serem letais.
Em um projeto real o aterramento é uma malha, não um ponto — então as tensões reais de passo (Vp) e de toque (Vt) são calculadas por formulações de malha que consideram a geometria (espaçamento, número e comprimento de condutores, hastes), a corrente que realmente escoa pela malha e a resistividade do solo. A referência brasileira é a ABNT NBR 15751 (aterramento de subestações), alinhada internacionalmente ao IEEE 80.
O critério que de fato importa: real abaixo do admissível
Calcular a tensão real é só metade do trabalho. A outra metade é a tensão admissível — o quanto o corpo humano suporta naquela situação. Conceitualmente, o limite admissível cresce com a resistência do corpo, com a corrente que a pessoa tolera pelo tempo da falta e com a resistividade da camada superficial do solo (a brita). A NBR 15751 estrutura assim:
- Passo admissível: Epasso = (Rcorpo + 6·ρs·C) · Ichoque
- Toque admissível: Etoque = (Rcorpo + 1,5·ρs·C) · Ichoque
em que Rcorpo é a resistência adotada para o corpo, ρs é a resistividade da camada superficial, C é o fator de redução dessa camada e Ichoque é a corrente suportável pelo corpo no tempo da falta (menor quanto mais longa a falta). O projeto é seguro quando a tensão real fica abaixo da admissível: Vp ≤ Epasso e Vt ≤ Etoque.
Como tudo isso depende de resistividade medida, corrente de falta, tempo de atuação da proteção e geometria da malha, o cálculo preciso é feito com software e por engenheiro responsável — nunca “de cabeça”. Veja o guia completo da malha de aterramento e, para medir em campo, o laudo de aterramento.
O critério de segurança
A tensão real precisa caber abaixo da admissível
O aterramento é seguro quando a tensão de passo real (Vp) e a de toque real (Vt) da malha ficam abaixo dos limites que o corpo suporta (Ep, Et). A folga entre elas é a margem de segurança.
Precisa dos números? A ferramenta de malha de aterramento grátis da Token calcula as tensões de toque e de passo da malha e compara com o limite admissível — em poucos campos, direto no navegador.
Quais as medidas de proteção contra tensão de passo e de toque?
Reduzir o risco é, sobretudo, reduzir o gradiente de potencial na superfície e limitar o tempo de exposição. As medidas mais usadas em subestações e instalações de alta tensão são:
1
Malha de aterramento
Uma malha condutora enterrada distribui a corrente de falta por uma grande área e achata o gradiente na superfície, baixando as tensões de passo e toque.
2
Camada de brita
Uma camada de brita (pedrisco) de alta resistividade sobre o solo aumenta a resistência sob os pés e eleva a tensão admissível — medida clássica de subestação.
3
Equipotencialização
Interligar estruturas, cercas e massas metálicas ao aterramento reduz as diferenças de potencial que geram a tensão de toque.
4
Proteção rápida
Relés e disjuntores que eliminam a falta em frações de segundo encurtam o tempo de exposição — e a corrente admissível é maior quanto menor o tempo.
5
Distância e barreiras
Manter rotas e áreas públicas afastadas das fontes de risco, com cercas e barreiras que restrinjam o acesso às zonas de maior gradiente.
6
Sinalização, EPI e treino
Sinalizar as áreas de risco, usar calçado e luvas isolantes e treinar as equipes sobre como se mover e por que o risco existe.
Por que funciona
Malha e brita achatam o gradiente
Sem tratamento, o potencial cai de forma íngreme e a tensão de passo é alta. Com a malha bem dimensionada e a camada de brita, o perfil fica mais achatado e as tensões de passo e toque caem.
Como se mover numa área com risco de tensão de passo?
Se você suspeita de tensão de passo — um cabo caído, um transformador em falha —, as regras de ouro para não fechar corrente entre os pés são:
- Não entre na área suspeita; mantenha distância e alerte a concessionária.
- Se já estiver dentro e precisar sair, dê passos muito curtos, com os pés quase juntos, ou salte com os dois pés juntos, tocando o solo ao mesmo tempo.
- Não toque em objetos metálicos que possam estar energizados.
- Evite cair — uma queda amplia o contato com o solo e aumenta o risco.
- Mantenha a calma e avise autoridades ou profissionais qualificados.
Lembre-se: a tensão de passo é maior perto do ponto de falta e diminui conforme você se afasta.
Medir por cima × malha com verificação de passo e toquePor que o projeto de aterramento importa
Cravar hastes e medir a resistência não garante segurança: o que protege pessoas é a tensão de passo e de toque real ficar abaixo do admissível — e isso exige projeto de malha, resistividade medida e verificação.
Aterramento “no olho”
- Só se olha a resistência em ohms
- Sem medição de resistividade do solo
- Sem cálculo de tensão de passo/toque
- Sem camada de brita nem verificação
»
Token
Projeto Token
- Resistividade medida (Wenner) como base
- Malha calculada em software
- Passo e toque reais ≤ admissíveis
- Brita, equipotencialização e ART
Resultado: as tensões de passo e de toque que chegam à pessoa ficam abaixo do que o corpo suporta — que é o único critério que de fato protege.
Perguntas frequentes sobre tensão de passo e de toque
O que é tensão de passo?
Tensão de passo é a diferença de potencial entre os dois pés de uma pessoa (cerca de 1 m de distância) sobre o solo, perto de uma falta à terra. A corrente de falta cria um gradiente de potencial no solo; como cada pé fica em um ponto diferente desse gradiente, surge uma diferença de tensão entre eles que pode fazer uma corrente perigosa circular pelo corpo.
O que é tensão de toque?
Tensão de toque é a diferença de potencial entre a mão de uma pessoa que toca uma estrutura aterrada e os seus pés no solo, durante uma falta à terra. A estrutura assume o potencial de terra e o solo sob os pés fica em outro; a diferença, aplicada da mão aos pés, atravessa o tronco e por isso é especialmente perigosa.
Qual a diferença entre tensão de passo e tensão de toque?
As duas vêm do mesmo gradiente de potencial no solo, mas diferem no caminho da corrente: na tensão de passo a diferença é entre os dois pés (pé a pé) e a corrente vai de um pé ao outro; na tensão de toque a diferença é entre a mão (num objeto aterrado) e os pés, e a corrente atravessa o tronco. A de toque costuma ser a mais crítica porque o percurso inclui o coração.
Como calcular a tensão de passo e de toque?
Calcula-se a tensão real da malha de aterramento (Vp de passo, Vt de toque), que depende da resistividade do solo, da corrente de falta e da geometria da malha, e compara-se com a tensão admissível que o corpo suporta no tempo da falta. O projeto é seguro quando a real fica abaixo da admissível (Vp ≤ Ep e Vt ≤ Et). A referência brasileira é a ABNT NBR 15751; o cálculo preciso é feito em software, por engenheiro responsável.
O que reduz a tensão de passo e de toque?
Uma malha de aterramento bem dimensionada, que distribui a corrente e achata o gradiente na superfície; uma camada de brita de alta resistividade, que eleva a tensão admissível sob os pés; a equipotencialização de estruturas e cercas; e proteções rápidas, que encurtam o tempo de falta. Em conjunto, mantêm as tensões reais abaixo dos limites que o corpo suporta.
Token Engenharia
Precisa garantir tensão de passo e toque dentro do limite?
A Token mede a resistividade do solo, projeta e verifica a malha de aterramento e emite o laudo com responsabilidade técnica (ART) para a sua subestação ou instalação.