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Aterramento industrial · NBR 5419-3:2026 · SPDA · Subestação
Malha de aterramento: o que é, como é dimensionada e o que a norma exige
Boa parte dos laudos de aterramento em circulação foi emitida com critérios que a NBR 5419-3:2026 simplesmente não define — como o famoso limite de ‘1 Ω’. Entenda o que a norma vigente realmente exige e o que o dimensionamento correto da malha precisa entregar.
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NBR 5419-3:2026 — SPDA e aterramentoContinuidade, não resistência fixaART + CREA — engenheiro responsável

Resposta rápida
Malha de aterramento é um conjunto de eletrodos enterrados (cabos, hastes e anéis) interligados para dissipar correntes de falta e limitar as tensões de passo e de toque a valores seguros. A NBR 5419-3:2026 define geometria, material e comprimento mínimo dos eletrodos conforme a resistividade do solo e o nível de proteção (NP) do SPDA ou da instalação.
O que é malha de aterramento e quando ela é exigida
O aterramento é o caminho de baixa impedância que permite correntes de falta — curtos-circuitos,
descargas atmosféricas e surtos — fluírem para a terra sem danificar equipamentos nem colocar pessoas em risco.
Em instalações industriais e subestações, a solução adotada é a malha de aterramento: eletrodos
horizontais e verticais enterrados e interligados formando uma grelha condutora que distribui a corrente
pela área do solo e reduz o gradiente de potencial na superfície.
A malha é exigida sempre que a instalação apresenta um ou mais dos seguintes contextos:
- SPDA (Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas): a NBR 5419-3:2026 exige que o
subsistema de aterramento do SPDA seja dimensionado com comprimento mínimo de eletrodo (l1) em função
da resistividade do solo e do NP escolhido (Figura 3 da norma). O objetivo é a menor resistência
possível compatível com o arranjo e o solo (cláusula 5.5.1.1). - Subestação de média ou alta tensão: a malha garante que, em um curto-circuito no transformador
ou no barramento, a tensão de passo e de toque na área da subestação fique abaixo dos limites de segurança.
A referência de projeto é a norma IEEE 80 (método de Schwarz/Thapar). - Instalações de baixa tensão de grande porte (NBR 5410): o aterramento equipotencial assegura
funcionamento correto dos dispositivos de proteção (DR, DPS) e segurança em caso de falha de isolação. - Áreas classificadas (risco de explosão): o IEC 60079-0 e a NBR 5419-2:2026 exigem NP mínimo II
e, portanto, malha dimensionada para esse nível de proteção.
Em residências e pequenas instalações, um único eletrodo de haste costuma ser suficiente. Em plantas
industriais, o volume de corrente envolvido e a extensão da área exigem a malha — geometria distribuída
que nenhuma haste isolada substitui.
Campo · Instalação
Lançamento dos condutores de malha
Condutores horizontais enterrados e interligados a hastes verticais formam a grelha que distribui a corrente de falta pela área do solo. A geometria e a profundidade de enterramento influenciam diretamente a resistividade efetiva e o gradiente de potencial na superfície.
Lançamento dos condutores de malha antes do reaterro. NBR 5419-3:2026, cláusula 5.5.2.1.
Como a malha de aterramento é dimensionada
Veja em 3 minutos
Como calcular a malha: toque, passo e Rg
No vídeo, a Token calcula uma malha de aterramento passo a passo — tensão de toque, tensão de passo e resistência (Rg) pelo método da IEEE 80, a mesma lógica da ferramenta abaixo.
O dimensionamento parte de três variáveis: a resistividade do solo (ρ), a corrente de falta
que a malha deve dissipar e os limites de tensão de passo e de toque aceitáveis para seres humanos.
1. Medição da resistividade do solo
A resistividade (ρ, em Ω·m) é a principal variável de projeto. Varia de menos de 10 Ω·m em solos
argilosos úmidos até mais de 3.000 Ω·m em rocha granito seca. O método padrão de medição em campo é o
método de Wenner (quatro eletrodos equidistantes): injeta-se corrente pelos eletrodos externos e
mede-se a tensão nos internos. O tratamento dos dados — estratificação do solo em duas ou mais camadas —
é feito conforme a NBR 7117-1 (resistividade e estratificação do solo; citada pela NBR 5419-3:2026,
item 7.5.3).
A resistividade é um dado de projeto, não uma característica imutável: a estação do ano, o teor de
umidade e a presença de sais minerais alteram o valor. Por isso o projeto usa o valor mais desfavorável
(seco, verão) como referência de cálculo.
2. Comprimento mínimo do eletrodo (l1) pela NBR 5419-3:2026
Para instalações com SPDA, a NBR 5419-3:2026 determina o comprimento mínimo l1 de cada eletrodo
radial a partir de uma relação entre ρ e o NP escolhido (Figura 3 da norma). Para ρ acima de 3.000 Ω·m,
a norma fornece fórmulas específicas: l1 = 0,03ρ−10 (NP I) e l1 = 0,02ρ−11 (NP II). Os NPs III e IV
são independentes de ρ segundo a Figura 3 da norma (NOTA 1).
Se o raio médio efetivo (re) do eletrodo existente já atingir l1, não é necessário complemento.
Quando re < l1, a diferença é coberta por eletrodos complementares radiais (lr = l1−re) ou verticais
(lv = (l1−re)/2), conforme cláusula 5.5.2.4.
3. Geometria: anel, grelha e eletrodo de fundação
A norma estabelece uma ordem preferencial de arranjo (cláusula 5.5.2.1):
- Armadura da fundação com interligação horizontal (baldrame ou piso) — o mais eficiente porque
distribui a corrente pelo maior volume de solo possível. - Armadura sem interligação, complementada com eletrodos externos.
- Anel fechado enterrado a pelo menos 0,5 m de profundidade e afastado cerca de 1 m
das paredes externas (cláusula 5.5.3), com ou sem malha interna adicional.
Para subestações, a referência de projeto é a IEEE 80, que define o método para calcular a tensão
máxima de malha (Em) e a tensão de passo (Es) em função da geometria da grelha, do número de hastes
verticais, da corrente de falta simétrica e do tempo de atuação da proteção.
01
Medição de Resistividade
Método Wenner em campo. Estratificação do solo conforme NBR 7117-1. Define o comprimento mínimo l1 dos eletrodos.
02
Dimensionamento do Projeto
Cálculo da geometria (anel, grelha, hastes) pela NBR 5419-3:2026 ou IEEE 80. Define seção, material e comprimento total.
03
Instalação e Conexão de Ensaio
Lançamento dos condutores e hastes. Conexão de ensaio em cada descida (~1,5 m do piso, abrível por ferramenta — cláusula 5.4.6 da 5419-3).
| Material | Configuração | Cravado (Ø) | Não cravado (mm²) | Espessura |
|---|---|---|---|---|
| Cobre | Cabo encordoado | — | 50 | — |
| Cobre | Cilíndrico maciço | 15 mm | 50 | — |
| Cobre | Fita / barra chata | — | 50 | 2 mm |
| Aço zincado a quente | Cilíndrico maciço | 14 mm | 78 | — |
| Aço zincado a quente | Fita maciça | — | 90 | 3 mm |
| Aço cobreado | Cilíndrico maciço (cravado) | 12,7 mm | 50 | — |
| Aço inox AISI 304+ | Cilíndrico maciço | 15 mm | — | — |
| Aço inox AISI 304+ | Fita maciça | — | 100 | 3 mm |
Fonte: NBR 5419-3:2026, Tabela 8. Eletrodo cravado deve atender à NBR 13571. Zinco a quente: camada mínima de 70 μm.
Tensão de passo e tensão de toque: o que a malha precisa limitar
Quando uma corrente de falta flui pela malha de aterramento, cria-se um gradiente de potencial no solo
ao redor dos eletrodos. Duas grandezas definem o risco para pessoas na área:
- Tensão de passo: diferença de potencial entre os dois pés de uma pessoa parada sobre o solo,
separados por 1 m. Uma corrente elevada através dos membros inferiores pode ser letal mesmo sem contato
com a instalação. - Tensão de toque: diferença de potencial entre a mão de uma pessoa que toca uma estrutura aterrada
e seus pés, também separados 1 m. É o cenário típico de contato com a carcaça de um transformador durante
uma falta.
A NBR 5419-3:2026, cláusula 8, exige que medidas contra essas tensões sejam adotadas sempre que
a proximidade das descidas do SPDA ou da malha representar risco. As medidas incluem equipotencialização
do solo, isolação da superfície, restrição de acesso e sinalização.
Na prática de subestação, o projeto pela IEEE 80 calcula a tensão máxima de malha e a tensão de passo
tolerável com base no peso corporal de referência adotado no projeto, na resistividade da camada superficial
de brita ou asfalto e no tempo de atuação da proteção. A brita de alta resistividade usada no piso de
subestações não é ornamental — ela aumenta a impedância entre os pés e o solo e reduz a corrente que
flui pelo corpo humano.
A NBR 15749:2009 (medição de resistência de aterramento e potenciais na superfície do solo)
traz o método para medir potenciais de passo e de toque em campo, com quatro eletrodos e injeção de
corrente simulando a falta.
Campo · Medição
Medição pelo método da queda de potencial
A medição de resistência de aterramento pelo método da queda de potencial (62%) é realizada conforme a NBR 15749:2009. Os valores obtidos em campo confirmam que a malha instalada atende ao projeto e são registrados no laudo com ART.
Método da queda de potencial — quatro eletrodos. Referência: NBR 15749:2009.
Resistência de aterramento: o que a norma exige (e o mito do “1 Ω”)
Há um mito persistente no mercado: o aterramento é aprovado se a resistência medida for inferior a
1 Ω (ou 5 Ω, ou 10 Ω, dependendo de quem responde). A realidade normativa é diferente.
A NBR 5419-3:2026, cláusula 7.1.4, estabelece que não é necessária a medição da resistência
de aterramento para verificar a eficácia do SPDA. Na inspeção do SPDA, o ensaio do eletrodo é de
continuidade elétrica (cláusula 7.3.4), não de resistência ôhmica. O valor de resistência é um
dado de projeto, calculado ou medido antes da instalação como critério de dimensionamento —
nunca um limite único aplicável a qualquer instalação.
Isso tem impacto direto em dois contextos comuns:
- Laudo de SPDA: o laudo que reprova o SPDA apenas por R > X Ω medido em inspeção não está
conforme a NBR 5419-3:2026. A reprova deve ser fundamentada em continuidade inadequada ou dimensionamento
do projeto incorreto. - Especificação de contrato: cuidado com edital ou contrato que exige “resistência inferior a
1 Ω” como critério de aceite sem embasamento em norma. O critério deve ser o projeto — e o projeto
deve ser assinado por engenheiro com ART.
Para a NBR 5410 (instalações BT), o aterramento funcional é aquele que garante a atuação dos
dispositivos de proteção (DR, disjuntor) dentro do tempo previsto em projeto. A resistência de
aterramento integra o cálculo de corrente de falta, mas não é um limite fixo da norma.
| NP | Raio da esfera rolante (m) | Módulo da malha (m) | Distância entre descidas (m) | Comprimento l1 |
|---|---|---|---|---|
| I | 20 | 5 × 5 | 10 | Ver Figura 3 + fórmula para ρ>3000 |
| II | 30 | 10 × 10 | 10 | Ver Figura 3 + fórmula para ρ>3000 |
| III | 45 | 15 × 15 | 15 | Independe de ρ (NOTA 1 Figura 3) |
| IV | 60 | 20 × 20 | 20 | Independe de ρ (NOTA 1 Figura 3) |
Fonte: NBR 5419-3:2026, Tabelas 2 e 5. l1 = comprimento mínimo do eletrodo de aterramento; depende de ρ para NP I e II.
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Qual norma rege cada caso: SPDA, instalação BT e subestação
Uma mesma planta industrial pode ter três sistemas de aterramento regidos por normas distintas —
e o projeto precisa integrá-los num aterramento único:
- SPDA (NBR 5419-3:2026): rege os eletrodos do subsistema de aterramento do para-raios. Define
geometria, material, comprimento l1 e a obrigatoriedade de aterramento único e integrado com os demais
sistemas (cláusula 5.5.1.3). O SPDA, a instalação de força e os sistemas de telecomunicação devem
compartilhar o mesmo eletrodo de terra. - Instalação de baixa tensão (NBR 5410): o aterramento de proteção (PE) assegura que, na falha de
isolação, a corrente de falta ative o disjuntor ou o DR dentro do tempo de desligamento exigido pelo
esquema de aterramento adotado (TN-S, TT, IT). - Subestação de média tensão (NBR 14039:2021): a norma exige que a subestação do consumidor
tenha sistema de aterramento projetado para limitar tensões de passo e de toque durante falta. A
referência de cálculo é a IEEE 80.
O projeto do aterramento integrado — que atende simultaneamente ao SPDA, à NBR 5410 e à subestação —
é um dos serviços do projeto de aterramento elétrico
da Token Engenharia. Um único eletrodo de terra, projetado corretamente, serve aos três sistemas e
elimina a diferença de potencial entre eles que poderia, em caso de falta, criar tensões perigosas nos
circuitos de sinal e controle.
SPDA · Aterramento Integrado
SPDA com subsistema de aterramento único
A NBR 5419-3:2026 exige aterramento único integrado: SPDA, instalação de força e telecomunicações compartilham o mesmo eletrodo de terra (cláusula 5.5.1.3). A Token Engenharia projeta e instala o sistema integrado com ART no CREA.
Medição e laudo da malha de aterramento: quando contratar
Quando a inspeção precisa de valor legal — para bombeiros, seguradora ou auditoria — o resultado é formalizado no laudo de SPDA e aterramento, com ART e engenheiro responsável.
A medição em campo e a emissão do laudo de aterramento são necessárias em quatro situações principais:
- Comissionamento de instalação nova: conferir que a malha executada atende ao projeto e registrar
os valores de resistência como linha de base para medições futuras. - Inspeção periódica do SPDA: a NBR 5419-3:2026 exige inspeção anual em áreas classificadas, com
risco de explosão, em instalações de serviços essenciais e em regiões de corrosão severa. Para as demais
estruturas, o intervalo é de 3 anos (cláusula 7.3.2). - Após intervenção física na instalação: obras de expansão, troca de solo, mudanças na geometria
ou substituição de eletrodos exigem nova verificação. - Prontuário NR-10 (instalações > 75 kW): o prontuário de instalações elétricas exigido pela
NR-10, item 10.2.4, deve conter o relatório técnico das inspeções com recomendações. O aterramento faz
parte da inspeção da instalação BT.
O laudo de aterramento emitido pela Token Engenharia inclui:
- Medição de resistência pelo método da queda de potencial (62%), conforme a NBR 15749:2009;
- Verificação de continuidade dos condutores de aterramento e descidas;
- Avaliação de corrosão visível nos eletrodos, conexões e conectores;
- ART no CREA assinada pelo engenheiro responsável;
- Para instalações com SPDA: adequação ao roteiro de inspeção da NBR 5419-3:2026 (cláusula 7.3).
Perguntas frequentes sobre malha de aterramento
Qual é o valor de resistência de aterramento aceitável?
Não existe um limite único válido para todas as instalações. A resistência depende da resistividade do
solo, da corrente de falta esperada e do esquema de aterramento (TN, TT, IT). O que a NBR 5419-3:2026
define é o comprimento mínimo l1 do eletrodo em função do NP e da resistividade — não um valor ôhm fixo.
Qual a diferença entre malha de aterramento e haste de aterramento?
A haste (eletrodo vertical cravado no solo) é um único ponto de dissipação de corrente. A malha
interliga vários eletrodos numa grelha que distribui a corrente por uma área maior, reduzindo o
gradiente de potencial. A malha é exigida em instalações industriais e subestações onde a corrente de
falta é alta e o controle de tensão de passo e de toque é crítico.
Qual norma rege o aterramento do SPDA?
A NBR 5419-3:2026 é a norma brasileira vigente que rege o subsistema de aterramento do SPDA.
Ela define a ordem preferencial de arranjo (fundação, anel, malha), o comprimento mínimo l1 dos
eletrodos, os materiais e seções mínimas (Tabela 8) e a obrigatoriedade de aterramento único integrado.
Com que frequência deve ser feita a medição de aterramento?
Para instalações com SPDA, a NBR 5419-3:2026 (cláusula 7.3.2) define: anual para áreas classificadas,
instalações de serviços essenciais e regiões de corrosão severa; a cada 3 anos para as demais.
Engenheiro é obrigatório para o projeto e laudo de aterramento?
Sim. A NBR 5419-3:2026 exige que o relatório de inspeção seja elaborado por responsável técnico com
registro no conselho (cláusula 7.5.4). A NR-10, item 10.2.7, determina que os documentos técnicos
sejam elaborados por engenheiro eletricista com ART no CREA.
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Aterramento Industrial · Token Engenharia
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