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Estudo de Energia Incidente • Arc Flash
Etiqueta de arco elétrico: o que ela precisa informar e como interpretar
Cada painel que exige serviço energizado deve ter uma etiqueta arc flash legalmente válida. Saiba quais campos a ABNT NBR 17227:2025 exige, o que significa cada informação e quem pode gerar.
Gerar as etiquetas da sua instalação
ABNT NBR 17227:2025 + NFPA 70EATPV cal/cm² decifrado6 campos obrigatóriosAssinado por engenheiro CREA

Resposta rápida
A etiqueta de arco elétrico (arc flash label) é o documento fixado no painel que informa a energia incidente calculada (cal/cm²), o ATPV mínimo do EPI, a distância de segurança (AFB) e a TAG do equipamento. A ABNT NBR 17227:2025 (seção 7.2) lista os seis campos mínimos, em português. A etiqueta reflete sempre o último estudo feito (7.2.3.2). Etiqueta sem estudo assinado por engenheiro (CREA + ART) não tem validade legal.
Para que serve a etiqueta e onde ela é fixada
Quando um eletricista precisa abrir um painel, medir tensão ou realizar qualquer intervenção com a instalação energizada, ele precisa de duas informações críticas antes de tocar em qualquer componente: qual o risco de choque e qual o risco de arco elétrico. O risco de choque é gerenciado pelos limites de aproximação da NR-10 (Anexo II). O risco de arco elétrico é comunicado pela etiqueta de arco elétrico, que deve estar fixada visivelmente em todo equipamento que possa exigir exame, ajuste ou manutenção com energia — incluindo switchboards, paineis de distribuição (QGBT), centros de controle de motores (CCM), cubículos de média tensão e quadros de comando industrial.
A obrigatoriedade vem de duas frentes normativas que se complementam:
- ABNT NBR 17227:2025 (seção 7) — norma nacional vigente; define os seis campos mínimos que a etiqueta deve conter e exige o idioma português (seção 7.2).
- NFPA 70E (ed. 2024) — referência americana de boa prática, não vinculante no Brasil. É a base que a nova NR-10 adapta no Anexo IV; consultá-la ajuda, mas quem manda na etiqueta brasileira é a NBR 17227:2025.
A etiqueta reflete o último estudo de energia incidente aprovado. Se houver alguma medida de redução de risco (por exemplo, instalação de relé de arco), a etiqueta só pode ser trocada após a medida ser implementada e verificada (NBR 17227:2025, cl. 7.2.3.2). Colocar uma etiqueta otimista antes do retrofit é falta grave.
Além das portas de painéis, a sinalização também alcança os acessos de pátios e salas elétricas onde a energia incidente é significativa. Em uma subestação industrial com cubículos de média tensão, a entrada da sala também é ponto de sinalização.
Os 6 campos mínimos da etiqueta (ABNT NBR 17227:2025, seção 7.2)
Esquema ilustrativo da anatomia da etiqueta — os valores mostrados são fictícios e servem apenas para explicar cada campo. Não é modelo para uso: cada etiqueta só pode ser emitida a partir do estudo de energia incidente da própria instalação.
1Aviso de perigo“PERIGO” e “RISCO DE ARCO ELÉTRICO” em português, legíveis sem abrir o painel.
2Energia incidente e distância de trabalhoValor em cal/cm² no ponto e a distância usada no cálculo (457 mm em baixa tensão).
3Limite de arco (AFB)Raio a partir do qual a energia incidente cai para 1,2 cal/cm².
4EPI mínimo (ATPV)Classificação térmica da vestimenta: o ATPV precisa ser ≥ à energia incidente calculada.
5Tensão nominalNível de tensão do sistema no ponto etiquetado, que define o procedimento de trabalho.
6TAG do equipamentoIdentificação única do painel, que amarra a etiqueta ao estudo que a gerou.
Anatomia da etiqueta arc flash • ABNT NBR 17227:2025 seção 7.2
Cada número vem exclusivamente do estudo de energia incidente assinado.
Não existe etiqueta “genérica”: os valores mudam a cada ponto da instalação.
Campo a campo: o que cada informação da etiqueta significa
1. Aviso de perigo e identificação do risco
O cabeçalho em vermelho com a palavra “PERIGO” seguida de “RISCO DE ARCO ELÉTRICO” deve estar em português e ser visível sem abrir o painel. A ABNT NBR 17227:2025 (seção 7.2) é explícita: etiqueta em inglês (como as importadas de equipamentos americanos) não atende a norma nacional se o trabalhador não lê a língua.
2. Energia incidente máxima (cal/cm²) e distância de trabalho
A energia incidente é calculada pelo método IEEE Std 1584:2018, adotado como método de cálculo pela NBR 17227:2025. O valor em cal/cm² representa a energia térmica por unidade de área que atinge o trabalhador na distância de trabalho indicada. É o pior caso entre dois cenários calculados: corrente de arco nominal e corrente de arco mínima (que pode produzir energia até 4× maior, pois o dispositivo de proteção atua mais lentamente).
A distância de trabalho (distância típica entre o rosto/tórax do eletricista e o arco) não é arbitrária: para paineis BT o valor de referência da IEEE 1584:2018 (Tabela 10) é 457 mm (18 in). A etiqueta precisa indicar qual distância foi usada no cálculo para que o técnico saiba se vai trabalhar mais perto ou mais longe do padrão.
3. Limite de arco — arc flash boundary (AFB)
O AFB é a distância a partir do ponto de arco até onde a energia incidente cai para 1,2 cal/cm² (5,0 J/cm²), limiar calculado para queimadura de segundo grau em pele exposta. É determinado pelo método IEEE 1584:2018 e não é tabelado: depende da corrente de curto-circuito, da configuração do involúcro e do tempo de atuação da proteção. Para um painel BT com Icc alta e proteção lenta, o AFB pode ultrapassar 2 metros.
Dentro do AFB todo trabalhador é obrigado a usar EPI de arco, ainda que apenas observando (e não tocando). O AFB é um critério diferente dos limites de aproximação da NR-10 Anexo II, que tratam de choque elétrico e são tabelados por faixa de tensão — para instalações abaixo de 1 kV, por exemplo, as zonas de risco e controlada são raios tabelados por faixa de tensão no Anexo II da NR-10 (Portaria SEPRT 915/2019) — e tratam de choque, não de arco. O profissional atende aos dois critérios ao mesmo tempo, cada um pela sua fonte.
4. EPI e ATPV mínimo
A vestimenta de proteção contra arco elétrico é classificada pelo seu ATPV (Arc Thermal Performance Value), expresso em cal/cm². O valor na etiqueta indica o ATPV mínimo que o EPI do eletricista deve ter antes de entrar no AFB. A NBR 17227:2025 (seção 6 + Tabelas 11/12) orienta a seleção por faixas:
- Energia incidente entre 1,2 e 12 cal/cm²: roupa arc-rated com ATPV ≥ energia calculada
+ face shield arc-rated + luvas + óculos + proteção auditiva. - Energia incidente acima de 12 cal/cm²: adiciona capô arc flash (flash suit hood)
e camadas externas arc-rated.
Regra de ouro: os ratings de camadas individuais não se somam sem ensaio de sistema. Usar duas peças de 8 cal/cm² não equivale a 16 cal/cm² (prática consolidada, NFPA 70E ed. 2024).
5. Nível de tensão nominal do sistema
Indica a tensão a que o equipamento está sujeito (ex.: 480 V, 13,8 kV). São dados de entrada para o cálculo e ajudam o técnico a confirmar que o EPI que ele carrega é classificado para aquela tensão (luvas dielétricas classe 00 a 4 têm limites de tensão distintos).
6. TAG do equipamento
A identificação única do painel ou cubículo — como “QGBT-01”, “CCM-B” ou “SE-MT-03” — vincula a etiqueta ao ativo físico e ao banco de dados do estudo. Sem a TAG, quando o estudo é refeito ou o equipamento é modificado, não há como rastrear qual etiqueta corresponde a qual resultado de cálculo. A NBR 17227:2025 (cl. 7.2, item d) lista a TAG como campo obrigatório.
Serviço de campo
Estudo de energia incidente: como os números da etiqueta são obtidos
O cálculo da energia incidente exige os dados reais da instalação: corrente de curto-circuito (Icc), tempo de atuação da proteção, gap do involúcro e distância de trabalho. A Token executa as medições e levantamento em campo, calcula pelo método IEEE 1584:2018 — adotado como método de cálculo pela ABNT NBR 17227:2025 — e gera as etiquetas com ART.
| Campo da etiqueta | Norma de origem | O que comunica ao eletricista |
|---|---|---|
| Aviso PERIGO + RISCO DE ARCO ELÉTRICO | NBR 17227:2025, seção 7.2 | Equipamento exige EPI de arco antes de abrir |
| Energia incidente do pior caso (cal/cm²) | NBR 17227:2025, seção 7.2 • cálculo IEEE 1584:2018 | Quanto calor atingirá o trabalhador no pior cenário |
| Distância de trabalho (mm) | Parâmetro do cálculo IEEE 1584:2018 | A que distância o cálculo foi feito (457 mm é a referência usual em painel BT) |
| Distância segura (limite de arco / AFB) | NBR 17227:2025, seção 7.2 | Onde a energia incidente cai a 1,2 cal/cm² — a partir daí para dentro, EPI de arco |
| EPI indicados (ATPV em cal/cm²) | NBR 17227:2025, seção 7.2 | ATPV da vestimenta deve ser ≥ energia incidente |
| Nível de tensão nominal | NBR 17227:2025, seção 7.2 | Confirma a classe do EPI dielétrico necessário |
| TAG do equipamento | NBR 17227:2025, seção 7.2 | Vincula a etiqueta ao ativo e ao banco do estudo |
Onde a norma está hoje
A nova NR-10 (Portaria MTE 737/2026) tem vigência obrigatória a partir de 1º de junho de 2027; até lá vale o texto atual (Portaria SEPRT 915/2019). Na nova redação, o estudo de energia incidente — que é quem produz os números da etiqueta — ganha obrigação literal no item 10.11.2.3, para trabalho fora das condições do Anexo IV ou quando se pretende usar EPI de categoria menor. Veja o que muda na nova NR-10.
Quem assina e qual a validade da etiqueta
Quem elabora o estudo que gera a etiqueta é o profissional legalmente habilitado — engenheiro eletricista registrado no CREA, com ART emitida para o serviço. A NR-10 é expressa: “Os documentos técnicos previstos no Prontuário de Instalações Elétricas devem ser elaborados por profissional legalmente habilitado” (item 10.2.7, Portaria SEPRT 915/2019).
Sobre validade, o ponto que mais gera confusão: não existe prazo em anos fixado em norma brasileira para a etiqueta de arco elétrico. Quem circula “validade de 5 anos” está repetindo prática estrangeira como se fosse regra nacional. O critério real é outro:
- A etiqueta reflete o último estudo: a ABNT NBR 17227:2025 (7.2.3.2) amarra o conteúdo da etiqueta ao estudo mais recente. Estudo novo, etiqueta nova — e a antiga sai do painel.
- Mudou o cenário, o número morreu: a nova NR-10 (Portaria MTE 737/2026) traz o critério de forma literal no item 10.11.2.2 — qualquer equipamento diferente, corrente de falha superior, tempo de eliminação de falha superior e distância de trabalho menor impede a aplicação do Anexo IV. Traduzindo para a rotina da planta: trocar disjuntor, mexer no ajuste do relé, aumentar a Icc ou trabalhar mais perto do que o estudo previu invalida o valor da etiqueta.
Manter as etiquetas coerentes com o estudo vigente é responsabilidade de quem opera o equipamento — e é o que dá ao eletricista base técnica para escolher o EPI certo antes de abrir a porta do painel.
Levantamento de campo
Etapa de campo: levantamento, cálculo e emissão das etiquetas
Gerar uma etiqueta válida exige mais do que preencher um formulário: é preciso levantar a corrente de curto em cada ponto, mapear os tempos de atuação das proteções e identificar o tipo de involúcro de cada equipamento. A Token realiza o estudo completo, da coleta em campo ao cálculo certificado, e emite as etiquetas com código de rastreabilidade.
Os 6 erros que invalidam a etiqueta de arco elétrico
Na atividade de auditoria do estudo de energia incidente, os erros abaixo aparecem com frequência. Cada um pode invalidar a etiqueta ou gerar passivo em caso de acidente:
1
Etiqueta sem número do estudo
A etiqueta não rastreia de onde vieram os valores. Sem referência ao laudo/ART, não tem respaldo legal.
2
Valores genéricos ou tabelados
Preencher cal/cm² por tabela sem cálculo real é irregular. A IEEE 1584:2018 usa equações específicas para cada ponto.
3
EPI indicado na etiqueta não bate com o EPI disponível
A etiqueta recomenda ATPV 25 cal/cm², mas o almoxarifado só tem EPI de 8 cal/cm². A auditoria é imediata.
4
Etiqueta em inglês
NBR 17227:2025 (seção 7.2) exige os campos em português. Equipamento importado com etiqueta apenas em inglês não está em conformidade com a norma nacional.
5
Não atualizar após retrofit de proteção
Instalar relé de arco e manter a etiqueta antiga é contraditório: a etiqueta deve refletir o último estudo após a medida implementada (NBR 17227, cl.7.2.3.2).
6
Confundir AFB com limite de aproximação da NR-10
São critérios diferentes: AFB = risco de arco (calculado). NR-10 Anexo II = risco de choque (tabelado por tensão). São critérios paralelos — nunca se fundem em um número único.
Como é o processo de geração das etiquetas pela Token
A Token Engenharia realiza o estudo completo desde o levantamento de campo até a emissão das etiquetas, registrado em ART no CREA. O processo segue a ABNT NBR 17227:2025 e adota o método de cálculo IEEE 1584:2018:
1
Levantamento
Icc, tipos de involúcro, gaps e tempos de proteção em campo
2
Modelagem
Cálculo pelo método IEEE 1584:2018 em software certificado
3
Revisão técnica
Cenário nominal + cenário reduzido; resultado = maior energia
4
Emissão
Etiquetas em português, 6 campos NBR 17227, código de rastreio
Estudo de Energia Incidente • Arc Flash
Gere as etiquetas de arco elétrico da sua instalação com ART
Cada ponto da instalação tem um risco diferente. A Token calcula, assina e entrega as etiquetas em conformidade com a ABNT NBR 17227:2025 e o IEEE 1584:2018, com engenheiro CREA e ART registrada.
Perguntas frequentes sobre a etiqueta de arco elétrico
O que deve constar obrigatoriamente na etiqueta de arco elétrico?
Conforme a ABNT NBR 17227:2025 (cl.7.2), a etiqueta deve trazer: a indicação "PERIGO — RISCO DE ARCO ELÉTRICO", a energia incidente máxima em cal/cm², a distância de aproximação segura (AFB), a TAG do equipamento, o nível de tensão e o EPI mínimo exigido (ATPV ≥ energia incidente). Tudo em português.
O que significa ATPV na etiqueta de arco elétrico?
ATPV (Arc Thermal Performance Value) é a classificação térmica da roupa de proteção em cal/cm². Indica o valor de energia incidente em que o tecido tem 50% de probabilidade de causar queimadura de segundo grau. O ATPV da vestimenta selecionada deve ser maior ou igual à energia incidente calculada para o ponto.
Com que frequência a etiqueta de arco elétrico precisa ser atualizada?
Não existe prazo em anos fixado em norma brasileira — “validade de 5 anos” é prática estrangeira, não regra nacional. O critério é técnico: a etiqueta tem de refletir o último estudo (ABNT NBR 17227:2025, 7.2.3.2). Qualquer mudança que altere o tempo de eliminação da falta, a configuração do sistema, os ajustes de proteção ou a distância de trabalho obriga revisão — é o que a nova NR-10 diz de forma literal no item 10.11.2.2.
Qual a diferença entre arc flash boundary (AFB) e os limites de aproximação da NR-10?
São critérios distintos. O AFB é a distância calculada pelo método IEEE 1584 em que a energia incidente atinge 1,2 cal/cm² (limiar de queimadura) e define onde usar EPI de arco. Já os limites de aproximação da NR-10 (Anexo II) são raios fixos por faixa de tensão que determinam as zonas livre, controlada e de risco para choque elétrico. As duas grandezas não se somam nem se substituem: o AFB é calculado caso a caso pelo estudo e pode ser muito maior que os raios do Anexo II, dependendo da Icc e do tempo de abertura da proteção.
Quem pode gerar e assinar as etiquetas de arco elétrico?
O estudo de energia incidente que origina as etiquetas deve ser elaborado por profissional legalmente habilitado (engenheiro eletricista com CREA), conforme a ABNT NBR 17227:2025 e a NR-10 (item 10.2.7). A ART registra a responsabilidade técnica do engenheiro e amarra o documento a um responsável identificável.